domingo, 21 de setembro de 2008

Qualidades de Oxum no Brasil, Cuba e África.

* NO BRASIL ( Algumas dessas qualidades são conhecidas somente em determinadas regiões do país, Salvador, Alagoas, Recife, ou então, são conhecidas com outros nomes.)

Oxum Ominibu;
Oxum Ijimun;
Oxum Ieiê Alá;
Oxum Ieiê Otin;
Oxum Apará;
Oxum Abalu;
Oxum Ajagurá;
Oxum Abotô;
Oxum Ipetu;
Oxum Olokô;
Oxum Merin;
Oxum Ipondá;
Oxum Karê;
Oxum Onira;
Oxum Ieiê Okê;
Oxum Akolê;
Oxum Toqüén;
Oxum Oloxá;
Oxum Ieiê Ogá;
Oxum Ieiê Sissi;
Oxum Ieiê Odô;
Oxum Popolokun;
Oxum Bomin;
Oxum Nola;
Oxum Sandide;
Oxum Bakunde;
Oxum Boto;
Oxum Nifan;
Oxum Ewuji.

* EM CUBA ( Geralmente não são qualidades muito conhecidas no Brasil.)

Ibu Kolê;
Ibu Akuaro;
Ibu Ololodi;
Ibu Yumu;
Ibu Añá;
Ibu Addesa;
Ibu Awayemi;
Ibu Ayede;
Ibu Ceni;
Ibu Eledan;
Ibu Eleke Oñi;
Ibu Fondae;
Ibu Iñañi;
Ibu Iñare;
Ibu Itumu;
Ibu Latie Elegba;
Ibu Ododoi;
Ibu Oddonki;
Ibu Odoko;
Ibu Oggale;
Ibu Okuanda;
Ibu Okuase Oddo;
Ibu Tinibu;
Ibu Ieiê Moro;
Oxum Aremu Kondiano;
Oxum Awé;
Oxum Bumi;
Oxum Edé;
Oxum Funké.

OBS: Em iorubá a palavra Ibu significa mãe. Esta palavra está relacionada com as partes mais profundas do rio.

NA ÁFRICA ( segunda a pesquisadora norte-americana Ladekoju Lakesin.)

Oxum Adakeke;
Oxum Akilapá;
Oxum Alaade;
Oxum Alakaso;
Oxum Amunitosun;
Oxum Anya;
Oxum Asejire;
Oxum Awowo;
Oxum Busseyin;
Oxum Ebu Iyamoopo;
Oxum Ebulu;
Oxum Ega;
Oxum Elewure;
Oxum Eleyele;
Oxum Emure lle;
Oxum Ereja;
Oxum Erinle;
Oxum Ewuji;
Oxum Gbodofon;
Oxum Ibu Oya;
Oxum Ijimu;
Oxum Iponda;
Oxum Ishena;
Oxum Itakun;
Oxum Iweeda;
Oxum Kemi;
Oxum Lokokan;
Oxum Lasinmin;
Oxum Obedu;
Oxum Okoko;
Oxum Okonla;
Oxum Oladekoju;
Oxum Ololo-Ololo Igun;
Oxum Olumowewe;
Oxum Olomoyoyo;
Oxum Oluweri;
Oxum Onikanga;
Oxum Onikoto;
Oxum Onitii;
Oxum Ooro;
Oxum Ororu;
Oxum Oxogbo;
Oxum Oyide;
Oxum Usi.

OBS: No livro "Oxum - A mãe da água doce", de Luís Filipe de Lima, Coleção Orixás da editora Pallas, encantra-se maiores explicações sobre cada uma das qualidades aqui relacionadas.

sábado, 20 de setembro de 2008


Lenda de Oxum, Oyá e Iemanjá

Um dia, foram juntas ao mercado Oyá e Oxum, esposas de Xangô, e Yemanjá, esposa de Ogum. Exu entrou no mercado conduzindo uma cabra. Ele viu que tudo estava em paz e decidiu plantar uma discórdia. Aproximou-se de Yemanjá, Oyá e Oxum e disse que tinha um compromisso importante com Orunmilá. Ele deixaria a cidade e pediu a elas que vendessem sua cabra por vinte búzios. Propôs que ficassem com a metade do lucro obtido. Yemanjá, Oyá e Oxum concordaram e Exu partiu. A cabra foi vendida por vinte búzios. Yemanjá, Oyá e Oxum puseram os dez búzios de Exu à parte e começaram a dividir os dez búzios que lhes cabiam. Yemanjá contou os búzios. Haviam três búzios para cada uma delas, mas sobraria um. Não era possível dividir os dez em três partes iguais. Da mesma forma Oyá e Oxum tentaram e não conseguiram dividir os búzios por igual. Aí as três começaram a discutir sobre quem ficaria com a maior parte. Yemanjá disse: "É costume que os mais velhos fiquem com a maior porção. Portanto, eu pegarei um búzio a mais". Oxum rejeitou a proposta de Yemanjá, afirmando que o costume era que os mais novos ficassem com a maior porção, que por isso lhe cabia. Oyá intercedeu, dizendo que , em caso de contenda semelhante, a maior parte caberia à do meio. As três não conseguiam resolver a discussão. Então elas chamaram um homem do mercado para dividir os búzios equitativamente entre elas. Ele pegou os búzios e colocou em três montes iguais. E sugeriu que o décimo búzio fosse dado a mais velha. Mas Oyá e Oxum, que eram a segunda mais velha e a mais nova, rejeitaram o conselho. Elas se recusaram a dar a Yemanjá a maior parte. Pediram a outra pessoa que dividisse equitativamente os búzios. Ele os contou, mas não pôde dividi-los por igual. Propôs que a parte maior fosse dado à mais nova. Yemanjá e Oyá não concordaram. Ainda um outro homem foi solicitado a fazer a divisão. Ele contou os búzios, fez três montes de três e pôs o búzio a mais de lado. Ele afirmou que, neste caso, o búzio extra deveria ser dado àquela que não é nem a mais velha, nem a mais nova. O búzio devia ser dado a Oyá. Mas Yemanjá e Oxum rejeitaram seu conselho. Elas se recusaram a dar o búzio extra a Oyá. Não havia meio de resolver a divisão. Exu voltou ao mercado para ver como estava a discussão. Ele disse: "Onde está minha parte?". Elas deram a ele dez búzios e pediram para dividir os dez búzios delas de modo equitativo. Exu deu três a Yemanjá, três a Oyá e três a Oxum. O décimo búzio ele segurou. Colocou-o num buraco no chão e cobriu com terra. Exu disse que o búzio extra era para os antepassados, conforme o costume que se seguia no Orun. Toda vez que alguém recebe algo de bom, deve-se lembrar dos antepassados. Dá-se uma parte das colheitas, dos banquetes e dos sacrifícios aos Orixás, aos antepassados. Assim também com o dinheiro. Este é o jeito como é feito no Céu. Assim também na terra deve ser. Quando qualquer coisa vem para alguém, este deve-se dividi-la com os antepassados. "Lembrai que não deve haver disputa pelos búzios." Yemanjá, Oyá e Oxum reconheceram que Exu estava certo. E concordaram em aceitar três búzios cada. Todos os que souberam do ocorrido no mercado de Oió passaram a ser mais cuidadosos com relação aos antepassados, a eles destinando sempre uma parte importante do que ganham com os frutos do trabalho e com os presentes da fortuna. [Lenda 24 do Livro Mitologia dos Orixás ]

Lenda de Oxum

OXUN (Do livro "Lendas Africanas dos Orixás de Pierre Fatumbi Verger e Carybé - Editora Currupio) Orê Yeyê ô! Oxum era muito bonita, dengosa e vaidosa. Como o são, geralmente, as belas mulheres. Ela gostava de panos vistosos, marrafas de tartaruga e tinha, sobretudo, uma grande paixão pelas jóias de cobre. Este metal era muito precioso, antigamente, na terra dos iorubás. Sí uma mulher elegante possuía jóias de cobre pesadas. Oxum era cliente dos comerciantes de cobre. Omiro wanran wanran wanran omi ro! "A água corre fazendo o ruído dos braceletes de Oxum!" Oxum lavava suas jóias, antes mesmo de lavar suas crianças. Mas tem, entretanto, a reputação de ser uma boa mãe e atende às súplicas das mulheres que desejam ter filhos. Oxum foi a segunda mulher de Xangô. A primeira chamava-se Oiá-Iansã e a terceira Obá. Oxum tem o humor caprichoso e mutável. Alguns dias, suas águas correm aprazíveis e calmas, elas deslizam com graça, frescas e límpidas, entre margens cobertas de brilhante vegetação. Numerosos vãos permitem atravessar de um lado a outro. Outras vezes suas águas, tumultuadas, passam estrondando, cheias de correntezas e torvelinhos, transbordando e inundando campos e florestas. Ninguém poderia atravessar de uma margem à outra, pois ponte nenhuma as ligava. Oxum não toleraria uma tal ousadia! Quando ela está em fúria, ela leva para longe e destrói as canoas que tentam atravessar o rio. Olowu, o rei de Owu, seguido de seu exército, ia para a gerra. Por infelicidade, tinha que atravessar o rio num dia em que este estava encolerizado. Olowu fez a Oxum uma promessa solene, entretanto, mal formulada. Ele declarou: " Se voce baixar o nível de suas águas, para que eu possa atravessar e seguir para a guerra, e se eu voltar vencedor, prometo a você nkan rere", isto é, boas coias. Oxum compreendeu que ele falava de sua mulher, Nkan, filha do rei de Ibadan. Ela Baixou o nível das águas e Olowu continuou sua expedição. Quando ele voltou, algum tempo depois, vitorioso e com um espólio considerável, novamente encontrou Oxum com o humor perturbado. O rio estava turbulento e com suas águas agitadas. Olowu mandou jogar sobre as vagas toda sorte de boas coisas, as nkan rere prometidas: tecidos, búzios, bois, galinhas e escravos. Mel de abelhas e pratos de mulukun, iguaria onde suavemente misturam-se cebolas, feijão fradinho, sal e camarões. Mas Oxum devolveu todas estas coisas boas sobre as margens. Era Nkan, a mulher de Olowu, que ela exigia. Olowu foi obrigado a submeter-se e jogar nas águas a sua mulher. Nkan estava grávida e a criança nasceu no fundo do rio. Oxum, escrupulosamente, devolveu o recém-nascido dizendo: "É Nkan que me foi solenemente prometida e não a criança. Tome-a!". As águas baixaram e Olowu voltou tristemente para sua terra. O rei de Ibadan, sabendo do fim trágico de sua filha, indignado declarou: "Não foi para que ela servisse de oferenda a um rio que eu a dei em casamento a Olowu!" Ele guerreou com o genro e o expulsou do país. O Rio Oxum passa em um lugar onde suas águas são sempre abundantes. Por esta razão é que Larô, o primeiro rei deste lugar, aí instalou-se e fez um pacto de aliança com Oxum. Na época em que chegou, uma de suas filhas fôra se banhar. O rio a engoliu sob as águas. Ela só saiu no dia seguinte, soberbamente vestida, e declarou que Oxum a havia bem acolhido no fundo do rio. Larô, para mostrar sua gratidão, veio trazer-lhe oferendas. Numerosos peixes, mensageiros da divindade, vieram comer, em sinal de aceitação, os alimentos jogados nas águas. Um grande peixe chegou nadando nas proximidades do lugar onde estava Larô. O peixe cuspiu água, que Larô recolheu numa cabaça e bebeu, fazendo, assim, um pacto com o rio. Em seguida ele estendeu suas mãos sobre a água e o grande peixe saltou sobre ela. Isto é dito em iorubá: Atewo gba ejá. O que deu origem a Ataojá, título dos reis do lugar. Ataojá declarou então: "Oxum gbô!" "Oxum esta em estado de maturidade, suas águas são abundantes." Dando origem ao nome da cidade de Oxogbô. Todos os anos faz-se, aí, grandes festas em comemoração a todos estes acontecimentos.

Lenda de Oxum e Obá

Oxum e Obá, ambas esposas de Xangô, tinham rixa antiga, com ciúmes uma da outra. Mas conviviam bem, dentro do possível. Até que um dia Obá resolveu convidar Oxum para uma festa, em seu palácio.
Oxum, que era a convidada de honra, vestiu um belo vestido, enfeitou-se com jóias, perfumou-se e foi com sua comitiva até o palácio de Obá. Quando lá chegou, viu que havia um lindo e comprido tapete de rosas, já no salão principal, estendido em sua honra.
Então Oxum pisou no tapete - descalça, como os orixás sempre andam - e teve uma desagradável surpresa: Obá pusera brasas escondidas debaixo das pétalas de rosas. Os pés de Oxum começaram a arder , mas ela, altiva, não quis demonstrar nenhum sinal de dor. Foi andando por todo o tapete sem reclamar, sorrindo majestosa para todos.
Oxum nada falou com Obá. Ficou à espera de um dia em que pudesse responder à altura. Os pés de Oxum ficaram queimados - e é por isso que até hoje ela pisa macio.